segunda-feira, 16 de junho de 2014

Minha história cacheada, liberdade e identidade


  Hey Divas!

  Há um tempo iniciei uma série de posts sobre cabelo aqui no Poison, pensei numa sequência lógica de posts para que vocês me entendessem e esse era um post que faria futuramente, mas devido a uma petição imbecil que fizeram para que a  Beyoncé penteasse os cabelos da filha Blue Ivy, percebi que talvez esse fosse o momento certo para contar e mostrar para vocês minha história com meus cachos
  Minha mãe sempre foi meio rígida comigo no aspecto cabelo, não deixava eu fazer escova sempre e química era um assunto que eu nem cogitava, mas ela sabia que não ia poder me segurar pra sempre. A adolescência ia chegar e eu ia querer fazer 15648765 cagadas diferentes no cabelo.

    A primeira foi aos 13 anos, mas grazadeus não tenho foto, uma amiga foi pintar o cabelo e eu aproveitei para descolori algumas partes, mas quando percebi quase o cabelo todo estava com o produto, aí chutei o balde e descolori todo. Minha sorte foi uma crise de consciência que não me deixou ficar muito tempo com o produto no cabelo, que ficou um laranja um tanto quanto estranho. Detalhe, foi tudo escondido da minha mãe, imagina se ela quis me matar sim ou com certeza?
  Mas a pior foi com 16 anos que, anarquista e revoltada (rs), resolvi ser escrava da escova e da chapinha. Tudo era muito legal, eu não tinha muito o que fazer então tinha tempo de sobra para gastar com meu cabelo. Mantive ele grande 'liso' por um pequeno tempo, até que me deu aloka de cabelo curtinho com as pontas viradas para fora (agosto de 2008), e foi o corte da minha fase lisa que eu mais gostei.
  Mas como pouca cagada é bobagem, resolvi descolorir meu cabelo, parte por parte, cada dia uma parte a mais e pintar de rosa. Claro, já não tinha zuado o barato o suficiente. E aí eu cortei, descolori, repiquei, pintei, zuei mais uma vez e assim por diante até que eu resolvi fazer uma progressiva em maio de 2009. Nenhuma besteira que fiz no cabelo até hoje foi páreo para essa. Entrei na cabeleireira com esperança de cabelo mais fácil de cuidar, de liberdade e de cabelo mais bonito e depois de incríveis 7 horas saí de lá com o cabelo que queria. E assim foi até o final do primeiro mês, quando depois de um banho vi que boa parte do meu cabelo estava na minha mão, e não na cabeça. Eu só não gritei por que acho que cairia de cabeça no chão. Eu passava a mão e saía mais cabelo, foi quando eu tive certeza que deveria procurar uma peruca por que iria ficar careca. 
  Como nasci para o drama, não fiquei careca nada, mas quase. A partir desse dia, depois de chorar muito e desesperadamente, prometi que nunca mais faria progressiva, voltaria a vida de chapinha all night and party every day.
  Com o cabelo todo fudido estragado pela progressiva and descoloração, no final do 3º ano antes da formatura (em dezembro de 2009), resolvi cortar mais curto que nunca pra ver se toda a parte estragada saía. E saiu, confesso que meu cabelo ficou bem legal, acho que ele acostumou em ser liso e eu nem precisava ficar horas fazendo chapinha. Entrei na faculdade em fevereiro de 2010 achando que tava tudo bem, mas não, depois de algum tempo ele se revoltou pra sempre comigo, mas também tadinho, tava certo.
  Fiquei até mais ou menos o fim do 2º período da faculdade com cabelo liso, até que numa bela noite uma linda que morava comigo fez o favor de quebrar meu espelho. Me fala, quem faz escova and chapinha sem espelho? Fiquei puta e revoltada por que só percebi que o espelho estava quebrado depois que lavei o cabelo. Fui deitar putinha e de cabelo molhado e pasmem, no outro dia meu cabelo acordou relativamente muito bonito e com cachos comportados. A partir desse dia nunca mais fiz chapinha.
  Adorava meu cabelo curto, cheio de cachos e com um volume lindo. Mas como nada é perfeito, quanto mais ele crescia, mais estranho ficava , quando chegou no ombro então, eu queria morrer. Aí cortei, ele cresceu, cortei de novo, repiquei todo, cresceu de novo, até que coloquei na minha cabeça que queria cabelão. E lá fui eu, deixando o cabelo crescer e tendo crises de amor e ódio pelos cachos.
  A medida que ele foi crescendo e que passou bastante do ombro foi ficando menos difícil de conviver, o cabelo foi ficando menos rebelde, mas em compensação, estava gastando quase mais dinheiro com o cabelo do que com comida, hehe, por que achava que só com produtos caríssimos conseguiria 'domar' o coitado.
  Mas mesmo dando menos trabalho ele não ficava bonito, não tinha brilho e se rolasse um day after bom me dava vontade de soltar foguete e criar um evento no facebook. Via vários cachos lindos e não entendia por que o meu não podia ser assim, até que eu conheci o Low Poo em dezembro de 2013 e minha vida e relação com meu cabelo mudaram completamente, pra muito melhor e pra sempre (nhóim!).
  Quando conheci a técnica fiquei muito curiosa, são várias práticas e conceitos diferentes. Confesso que, desconfiada do jeito que sou, pesquisei e li muito antes de resolver tentar a técnica, mas depois de ler tantos depoimentos e ver tantos cachos maravilhosos não tive escolha e lá fui eu comprar novos itens para o cabelo que se encaixassem no Low Poo. Gente, aqui tem um post com uma explicação geral da técnica, mas como o assunto é grande e denso como já falei, vamos aos poucos.
  Essas são fotos mais atuais e não é preciso fazer muita força pra perceber o quanto meu cabelo está mais macio, bonito, definido e brilhante depois que comecei o Low Poo, sem contar que agora tenho 3 day afters muito bons ;). Lavo duas vezes na semana e nos outros dias não preciso molhar e nem rezar na noite anterior para que ele acorde bonito no outro dia.
  Vai ter gente que vai falar que era melhor antes, ou que ficou melhor assim, mas na verdade o que importa é o que você acha, como você se sente a respeito. Aí, muita gente também vai dizer que usa ele liso por que se sente melhor assim. Eu posso até concordar, mas antes que tal pensar no por que você gosta dele assim? Você realmente gosta ou foi ensinada a gostar? 
  Pode parecer bobagem, mas esse tipo de ideia vem do preconceito, da vergonha que podemos sentir do cabelo por ele não ser o 'padrão', essa vergonha é enfiada na nossa cabeça, como podemos ver, desde crianças e muitas vezes é tão fantasiada que não aceitamos que seja vergonha, e não aceitando não conseguimos analisar de fato e tirar alguma conclusão. Auto-análise é extremamente importante pra tudo na vida, ainda mais para tentarmos descobrir como ideias e padrões, que não são nossa realidade, acabam virando nossa 'preferência'. Esse texto do blog Geledés é muito bom e recomendo a leitura: O que cabelo tem a ver com racismo?
  O que minha história tem a ver com a petição? Eu, assim como a maioria das cacheadas e crespas, já me rendi a esse padrão de beleza ridículo que diz que cabelo bonito é cabelo liso, independente das porcarias que você precisa passar nele pra esse fim e do quanto elas fazem mal a sua saúde. Esse tipo de atitude faz com que muitas mulheres e homens neguem e abdiquem de toda identidade.
  Cabelo é fator de identificação, cultural e racial, e ensinar, ou melhor obrigar as pessoas a odiarem seus cabelos é também ensinar a odiarem sua história e origem. 
  Me preocupo com a forma como a sociedade trata esse assunto ainda mais quando é relacionado a uma criança de dois anos. Gente, me respondam com sinceridade, uma criança com essa idade tem mesmo que se preocupar com o cabelo? Tem mesmo que fazer hidratações, nutrições e etc, ou mesmo tranças super apertadas e afins? Ou vocês acham que assim como a Beyoncé ela tem que estar com um cabelo diferente a cada semana? A mãe é uma Diva pop (não que justifique os cabelos lisos), não ela, ela é quase um bebê e na minha opinião, a única preocupação que os pais tem que ter é com o desenvolvimento da criança, e ensinar a gostar das origens é também se preocupar com o desenvolvimento. 
  Acredito sim que temos que cuidar de nossos cabelos, mas acredito também que a intensidade de cuidados varia completamente de cabelo pra cabelo e de pessoa para pessoa, e como já disse ela é uma criança e essa não deve ser uma preocupação na sua vida, e se for, algo está errado.

  E aí Diva, o que você acha dessa petição? Tem uma história de amor e ódio com o cabelo? Manda pra mim! Vou adorar postar sua história e tenho certeza que ela vai ajudar muita gente que está pronto para voltar aos cachos e só precisa de um empurrãozinho.
 Bju bju, Jú Vaz Tostes.

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9 comentários:

  1. Você fez MUITO bem em voltar para o cacheado, seu cabelo está mais lindo do que nunca! parabéns :}

    www.umbigosemfundo.com.br

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  2. Querida, teu cabelo é lindo! Tô doida pra ver vc falar de low poo pq tb tô querendo fazer! =*
    Aretha

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    Respostas
    1. Ei Aretha!
      Obrigada flor! ^^
      Tô preparando o post já, breve sai.

      Bju bju!

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  3. Seu cabelo está D-I-V-I-N-O!!!!!!!

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  4. Meu cabelo tmbm mudou muuuuuito depois do low poo... Vale a pena...

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    Respostas
    1. É uma mudança escândalo!
      Tanto que nem lembro do meu 'antigo cabelo'! Hehehe.

      Bju bju!

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  5. Querida o cabelo de minha filha é afro e tão ressecado que doi. Atualmnte estou usando bioestratos mas nem to gostando...dos males é o pior tem alguma dica? céliarade@hotmail.com

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:)

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